Recorde de matrículas na Graduação: Dados do Censo da Educação Superior
- Leticia Passos
- 2 de fev.
- 5 min de leitura

O ensino superior brasileiro voltou a ganhar tração. E os números mais recentes deixam isso claro: o Brasil ultrapassou a marca de 10 milhões de estudantes matriculados em cursos de graduação.Esse dado, divulgado a partir do Censo da Educação Superior, não é só estatística. É sinal de movimento. De retomada. E, principalmente, de oportunidade para quem lidera, gere ou vende educação.
Neste artigo, vamos conversar de forma direta sobre o que esses números realmente dizem, como eles impactam o seu negócio educacional e quais decisões estratégicas fazem mais sentido a partir daqui.
O que é o Censo da Educação Superior e por que ele importa tanto agora?
O Censo da Educação Superior é a principal pesquisa oficial sobre o ensino superior no Brasil. Produzido anualmente pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), ele reúne dados sobre matrículas, ingressantes, concluintes, modalidades, perfil das instituições e dos estudantes.
Por que isso importa agora?
Porque o Censo da Educação Superior é o termômetro mais confiável do mercado educacional. Ele mostra:
Onde o mercado cresce
Onde ele desacelera
Quais modelos ganham força
Onde estão os gargalos e as oportunidades reais
Para gestores de IES e infoprodutores, ignorar esses dados é decidir no escuro.
O que significa o Brasil ter mais de 10 milhões de matriculados na graduação?
Significa que o ensino superior voltou ao centro da estratégia de milhões de brasileiros.
Segundo dados divulgados pela CNN Brasil, com base no Censo da Educação Superior, o país atingiu mais de 10 milhões de estudantes matriculados, somando instituições públicas e privadas, presenciais e EAD.
Na prática, isso mostra três movimentos importantes:
Demanda reprimida voltando ao jogo: Muitos estudantes que haviam adiado a graduação por questões financeiras ou de incerteza econômica estão retomando seus planos.
Educação como ativo de longo prazo: Mesmo em um cenário econômico desafiador, o brasileiro segue enxergando o diploma como um caminho concreto de mobilidade e crescimento.
Mais concorrência e mais espaço para quem executa bem: O mercado cresce, mas cresce junto com a competitividade. Quem estrutura bem captação, permanência e receita sai na frente.
Onde estão concentradas essas matrículas segundo o Censo da Educação Superior?
Aqui está um ponto-chave.
O Censo da Educação Superior mostra que mais de 75% das matrículas estão na rede privada. Ou seja, são as IES particulares que sustentam, na prática, o acesso ao ensino superior no Brasil.
Além disso:
O EAD continua crescendo e já representa cerca de 50% das novas matrículas
Cursos de gestão, direito, pedagogia e tecnologia lideram em volume
Instituições que oferecem flexibilidade de pagamento têm maior taxa de ingresso e permanência
Esse último ponto não é achismo. É correlação direta observada em estudos do próprio Inep e em pesquisas de mercado educacional privado.
O que o crescimento das matrículas revela sobre o comportamento do aluno?
O aluno mudou. E o Censo da Educação Superior ajuda a provar isso com dados.
Hoje, o estudante:
Compara mais
Decide mais rápido
Abandona com mais facilidade se a experiência financeira não funciona
Não é só sobre preço. É sobre condições de permanência.
Na minha visão, baseada nesses dados, a evasão deixou de ser apenas um problema pedagógico. Ela é, cada vez mais, um desafio de modelo de acesso e pagamento.
A evasão ainda é um problema mesmo com mais matrículas?
Sim. E esse é um alerta importante.
O Censo da Educação Superior mostra crescimento nas matrículas, mas também evidencia que a taxa de conclusão não cresce no mesmo ritmo. Em outras palavras: entrar ficou mais fácil do que permanecer.
Os principais fatores associados à evasão são:
Dificuldade financeira ao longo do curso
Falta de previsibilidade de renda do aluno
Aumento do custo de vida
Falta de flexibilidade nos meios de pagamento
Para IES e infoprodutores, isso reforça um ponto central: vender a matrícula é só o começo.
O que muda para gestores de IES particulares com esses dados?
Muda o foco da gestão.
Com base no Censo da Educação Superior, fica claro que:
Crescer apenas via captação é arriscado
Sustentabilidade vem da permanência
Previsibilidade de caixa virou ativo estratégico
Instituições que trabalham apenas com cobrança tradicional tendem a sofrer mais com:
Inadimplência
Evasão tardia
Pressão sobre o fluxo de caixa
Já quem estrutura modelos mais inteligentes de pagamento cria espaço para crescer com menos atrito.
E para infoprodutores que vendem educação, o que esses números indicam?
Indicam uma coisa muito clara: o público está disposto a estudar, mas precisa de meios para pagar.
O Censo da Educação Superior ajuda a entender um comportamento que também aparece nos cursos livres e profissionalizantes:
O desejo existe
A barreira está no pagamento à vista
Por isso, modelos como boleto parcelado, crédito educacional e parcelamento estendido não são apenas diferenciais — são aceleradores de conversão.
Dados de mercado mostram que cursos que oferecem parcelamento longo podem aumentar em até 30% a taxa de conversão, sem reduzir ticket médio.
O crescimento do EAD muda a lógica financeira das instituições?
Muda — e muito.
O Censo da Educação Superior confirma que o EAD deixou de ser alternativa e virou estratégia principal para muitas instituições. Mas o custo menor de operação não elimina o risco financeiro.
Pelo contrário.
No EAD:
A evasão acontece mais rápido
O vínculo do aluno é mais frágil
A inadimplência impacta diretamente a escala
Isso exige modelos de gestão financeira mais automatizados, previsíveis e integrados à jornada do aluno.
O que os dados do Censo da Educação Superior não dizem, mas deixam claro?
Eles não dizem explicitamente, mas apontam uma direção:crescer sem cuidar do financeiro virou o maior risco do ensino superior privado.
Na prática, os números mostram que:
O mercado existe
A demanda está ativa
A disputa será vencida por quem remove fricções
E a maior fricção hoje não é pedagógica. É financeira.
Como usar o Censo da Educação Superior para tomar decisões melhores agora?
Aqui vão caminhos práticos, baseados nos dados:
Reveja sua política de pagamento: Se ela não acompanha a realidade do aluno, ela trava o crescimento.
Trate permanência como estratégia, não como consequência: Modelos que garantem previsibilidade ajudam o aluno a ficar.
Use dados para negociar internamente: O Censo da Educação Superior é um excelente argumento para decisões estruturais, inclusive com mantenedores e conselhos.
Simplifique o acesso: Quem facilita o pagamento amplia o mercado endereçável.
Qual é a principal oportunidade escondida nesses dados?
A oportunidade está em crescer com consistência.
O Censo da Educação Superior mostra que o mercado não está saturado. Ele está mal distribuído. Instituições e produtores que entendem o financeiro como parte da experiência educacional criam vantagem real.
Na prática, isso significa:
Mais alunos entrando
Mais alunos permanecendo
Mais previsibilidade para investir no futuro

O que fazer com tudo isso?
Os números do Censo da Educação Superior não pedem cautela. Eles pedem ação consciente.
O Brasil tem milhões de pessoas querendo estudar. O desafio não é convencê-las do valor da educação. É criar caminhos possíveis para que elas sigam até o fim.
Quem lidera educação hoje precisa assumir esse papel: remover barreiras, simplificar escolhas e sustentar o crescimento com inteligência.
Porque quando o acesso funciona, o ensino cresce.E quando o ensino cresce, todo mundo avança junto.



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