Dados da educação: 35% dos estudantes estão devendo às instituições de ensino superior
- Leticia Passos
- 29 de out. de 2025
- 5 min de leitura

O número é expressivo e traz um alerta importante para quem lidera o setor educacional no Brasil: 35% dos estudantes de ensino superior estão com mensalidades em atraso.O dado, divulgado recentemente pelo Correio Braziliense, reflete uma realidade que afeta diretamente o fluxo financeiro, o planejamento e até a sustentabilidade das instituições de ensino superior.
Mas o que está por trás desse cenário? E o que gestores e líderes podem fazer para transformar esse desafio em oportunidade?
Neste artigo, reunimos dados, análises e perguntas que ajudam a entender — e agir — sobre esse tema que toca o coração da gestão educacional.
Por que o número de inadimplentes cresceu nas instituições de ensino superior?
O aumento da inadimplência é resultado de uma combinação de fatores econômicos e sociais.De um lado, há a desaceleração da renda média das famílias brasileiras, ainda pressionadas pelos efeitos da inflação e do endividamento recorde — em setembro de 2025, mais de 77% das famílias estavam endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).De outro, o aumento no custo de vida, que impacta especialmente jovens e adultos que precisam equilibrar estudos, trabalho e responsabilidades financeiras.
De acordo com o Correio Braziliense, a média nacional mostra que mais de um terço dos universitários estão com parcelas atrasadas há pelo menos dois meses, e em algumas regiões, como o Nordeste, esse número ultrapassa 40%.O Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior) complementa: a taxa de inadimplência no ensino superior privado saltou de 27% em 2021 para cerca de 35% em 2024, e o crescimento da evasão é diretamente proporcional.
Quais são os impactos diretos dessa inadimplência para as instituições de ensino superior?
Para quem está à frente da gestão financeira e acadêmica, o impacto é duplo: fluxo de caixa comprometido e risco maior de evasão.Mensalidades atrasadas reduzem a previsibilidade de receita e forçam ajustes constantes no orçamento — o que, em muitos casos, limita investimentos em inovação, tecnologia e qualificação docente.
Segundo levantamento do Instituto Semesp, cada ponto percentual de inadimplência pode representar até 1% de perda anual de margem operacional nas instituições de ensino superior privadas.E quando o ciclo de inadimplência se prolonga, o efeito se espalha: aumentam os custos de cobrança, o desgaste das equipes e, principalmente, a chance de o aluno abandonar o curso.
Por que o aluno atrasa o pagamento? É apenas uma questão financeira?
Nem sempre. Pesquisas do Inep e do Datafolha Educação mostram que motivos emocionais e de pertencimento também influenciam a decisão do estudante de continuar pagando ou não.Quando o aluno não se sente parte da instituição, ou não percebe o valor da formação em relação ao investimento, o risco de inadimplência cresce.
Além disso, há um novo comportamento: os estudantes estão mais sensíveis a modelos de pagamento flexíveis e experiências digitais.Eles buscam o mesmo tipo de facilidade que encontram em outros setores — como assinaturas, parcelamentos longos e opções de renegociação simples, via WhatsApp ou aplicativos.
Ou seja, não se trata apenas de cobrar melhor, mas de comunicar valor e oferecer experiência. A inadimplência é, em parte, um sinal de desconexão entre o modelo tradicional de cobrança e o perfil atual do estudante.
Como a inadimplência afeta o aprendizado e a permanência dos alunos?
De forma profunda.A inadimplência, quando não gerida com empatia e estratégia, pode transformar o ambiente acadêmico em um espaço de ansiedade.Alunos que enfrentam dificuldades financeiras muitas vezes evitam procurar ajuda, acumulam dívidas e, por vergonha, acabam abandonando o curso.
Um levantamento feito pela Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) em 2024 mostrou que 61% dos estudantes que desistiram da graduação citaram questões financeiras como principal motivo.Isso reforça a necessidade de políticas institucionais que unam empatia, tecnologia e flexibilidade para manter o vínculo entre estudante e instituição.
Há diferenças entre tipos de instituições de ensino superior?
Sim. Nas instituições de grande porte, com gestão financeira estruturada, há mais ferramentas para negociação e prevenção.Já as instituições de médio e pequeno porte, especialmente fora dos grandes centros, ainda enfrentam barreiras tecnológicas e operacionais para acompanhar os atrasos em tempo real.
O Censo da Educação Superior 2023 apontou que mais de 75% das faculdades privadas do país têm menos de 3 mil alunos matriculados — e muitas delas ainda operam com processos de cobrança manuais, planilhas e sistemas que não conversam entre si.Esse cenário dificulta o planejamento e aumenta o risco de perder alunos por inadimplência ou falhas de comunicação.
O que as instituições de ensino superior podem fazer agora?
A boa notícia é que há caminhos possíveis — e cada vez mais acessíveis.Algumas estratégias que vêm ganhando destaque incluem:
Automatização de processos financeiros: integrar sistemas de cobrança, pagamentos e comunicação em uma mesma plataforma.
Análise de dados e predição de risco: usar inteligência artificial para identificar comportamentos de risco e agir preventivamente.
Programas de renegociação contínua: transformar o “cobrar depois” em “acompanhar sempre”, com empatia e transparência.
Modelos de pagamento flexíveis: oferecer opções de parcelamento e financiamento estudantil direto na matrícula.
Educação financeira para estudantes: promover campanhas internas que ensinem o aluno a gerir melhor seu orçamento e entender o valor do investimento em educação.
Essas ações não apenas reduzem a inadimplência, mas fortalecem o vínculo de confiança entre o estudante e a instituição — um ativo essencial para o crescimento sustentável.
Como os dados podem guiar decisões mais inteligentes no setor educacional?
O dado é a nova bússola da educação.Ele permite entender padrões de comportamento, prever quedas de receita e desenhar soluções sob medida.Por exemplo, cruzar informações de frequência, notas e histórico de pagamentos pode ajudar a identificar estudantes com alto risco de evasão antes que a inadimplência aconteça.
O desafio, no entanto, é transformar dados em ação.Segundo o Mapa do Ensino Superior 2024, publicado pelo Semesp, apenas 38% das instituições de ensino superior utilizam dados financeiros e acadêmicos de forma integrada.Isso mostra que ainda há espaço — e urgência — para amadurecer a cultura de gestão baseada em informação.
Qual é o futuro das instituições de ensino superior diante desse cenário?
O futuro passa pela capacidade de se reinventar.O ensino superior privado brasileiro está diante de uma oportunidade rara: usar tecnologia e novos modelos financeiros para liberar tempo, caixa e energia para o que realmente importa — o aprendizado.
As instituições que olham para o aluno como parceiro e não apenas como pagador tendem a prosperar.E as que tratam a inadimplência como dado estratégico, e não apenas problema, serão as que definirão o novo padrão de eficiência no setor.
Como mostra o Semesp, o número de alunos matriculados em cursos híbridos e EAD deve ultrapassar 70% do total até 2026, ampliando a competição e exigindo uma gestão cada vez mais ágil, inteligente e próxima.
E onde entra a parceria na solução desse desafio?
Toda mudança real começa com uma parceria verdadeira.O mercado educacional precisa de aliados que entendam o contexto das instituições, assumam riscos juntos e ofereçam soluções que gerem previsibilidade, eficiência e prosperidade.
É aqui que entra o papel da Principia.Mais do que uma empresa de soluções financeiras, a Principia é uma parceira das instituições de ensino que acredita que o conhecimento não tem limites — e que o futuro da educação se constrói com confiança, inovação e colaboração.
Afinal, se o aprendizado é infinito, a parceria também precisa ser.E é do princípio ao fim que a Principia caminha ao lado de quem faz a educação acontecer — para que cada instituição tenha mais liberdade para crescer, e cada estudante, mais chances de realizar seus planos.
Conclusão
Os dados mostram uma realidade desafiadora, mas também uma oportunidade clara: repensar a forma como as instituições de ensino superior se relacionam com seus alunos e com sua própria gestão financeira. Ao transformar números em decisões e inadimplência em inovação, o setor pode não apenas equilibrar contas, mas abrir caminho para uma nova era da educação — mais humana, inteligente e sustentável.
E essa mudança começa agora.




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